sexta-feira, setembro 26, 2008

Empresas saem em busca de engenheiros para o setor

Carmen Lígia Torres, para o Valor, de São Paulo
26/09/2008
Fonte: Valoronline

A revalorização da área de saneamento básico está revigorando o mercado de trabalho. Profissionais que haviam deixado o setor por falta de demanda voltam a ser requisitados, e escolas de graduação e especialização na área experimentam um aumento da procura que deve perdurar por mais alguns anos.


"Esse setor é pouco estruturado em mão-de-obra, principalmente porque esteve exclusivamente nas mãos do setor público durante muitos anos", afirma Mário Rocha, presidente da Prolagos empresa privada responsável pelos serviços de água e esgoto das cinco cidades que ficam na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Segundo ele, apesar de ainda estar muito concentrada em empresas públicas, a ampliação da participação do setor privado na área já está estimulando a irrigação do conhecimento e a qualificação de profissionais.


A Prolagos opera o saneamento da região desde 1998, e já conseguiu aumentar o índice de distribuição de água potável de 30% para 91% da população em 2007.


A falta de profissionais especializados tem levado muitas empresas a reverem exigências na hora de selecionar os candidatos. A idade do profissional, por exemplo, deixou de ser critério de corte, para dar lugar ao conhecimento e à experiência. "Os contratantes têm se proposto a empregar pessoas de mais de 50 anos, que, até há pouco tempo, seriam recusadas", diz Frederico Moraes, consultor na área de construção e obras de infra-estrutura da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos para média e alta gerência. "Não há jovens profissionais, especialmente engenheiros, que atendam à qualificação requerida, pois durante muitos anos não houve demanda para as áreas de infra-estrutura em geral", diz.


Segundo os cálculos dos engenheiros da Sabesp, estatal paulista de saneamento, a demanda deverá estar aquecida até, pelo menos, 2010, pois há previsão de investimentos de R$ 7 bilhões até essa data, apenas no Estado de São Paulo. "Estamos nos preparando para trazer de volta o pessoal especializado que foi para outros setores devido ao abandono verificado nos últimos anos", diz Luiz Narimatsu, presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp.


Desde o ano passado, a AESabesp, que era uma entidade exclusiva para o corpo de engenheiros da Sabesp, modificou seu estatuto interno e tem promovido cursos, seminários e congressos técnicos para estimular a qualificação dos profissionais. "Fazemos uma ponte entre os profissionais e as empresas, que têm nos procurado para ajudar a compor equipes", conta.


A necessidade de preparar pessoas para as obras de saneamento do projeto Onda Limpa levou a Prefeitura de Itanhaém e o Governo do Estado de São Paulo a criar uma escola de nível técnico, voltada ao saneamento. O curso foi montado pelo Centro Paula Souza, que administra 141 Escolas Técnicas (Etecs) e 47 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) públicas do Estado de São Paulo. As aulas começaram no segundo semestre de 2006, junto com as obras na região.


"As empreiteiras Delta Araguaia e a GBS já são parceiras da escola, e nos procuram para selecionar os profissionais", diz João Carlos Prado Lima, coordenador da Etec Itanhaém. Segundo ele, os estudantes são recrutados logo no início do curso, que tem duração de seis semestres.


"Dos 40 alunos matriculados agora no segundo semestre, 25% já estão empregados", informa.


O curso superior de Hidráulica e Saneamento Ambiental, da Fatec São Paulo, foi remodelado para atender à demanda da área de saneamento básico, abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e disposição final de resíduos sólidos. Atualmente, 100% dos alunos dos 7º e 8º semestres já estão trabalhando, segundo Josué Souza de Góis, coordenador do curso.

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