segunda-feira, setembro 08, 2008

Safra de 45 é recrutada para dividir sua experiência

08/09/2008
Fonte: Valoronline

Em recente reunião de um grupo de RH sobre sucessão, uma empresa de energia relatou uma experiência intrigante: para realização de um grande projeto, todos os candidatos com a experiência necessária tinham exatos 63 anos. A empresa é claro, contratou um deles.

Embora seja um caso específico, de um setor onde há muito não ocorriam grandes investimentos, outras empresas relataram casos de falta de profissionais experientes e até mesmo casos em que tinham que pagar "luvas" para convencer um executivo, já aposentado, a voltar ao trabalho.

Além da óbvia demanda do mercado por profissionais experientes, a coincidência na idade aponta para uma geração de executivos, nascida no pós-guerra, que formou a primeira safra de executivos profissionais no Brasil. Jovens que, na década de 70, foram cuidadosamente escolhidos e preparados para ocuparem posições de liderança numa economia em crescimento. A prática, iniciada nas multinacionais, foi rapidamente acompanhada pelas grandes empresas brasileiras. Para esta geração de talentos não faltou nada: vivência como expatriado, investimento em formação, planejamento de carreira.

O resultado foi a formação de um grupo de líderes que alinhou a gestão das organizações brasileiras com o mercado internacional, profissionalizando as empresas e colocando o Brasil dentro do mercado globalizado.

Além disso, eram grandes pessoas. Líderes que construíram carreiras sólidas e que tinham todo o respeito e admiração de suas equipes. Formadores e desenvolvedores que até hoje são referência para toda uma geração de profissionais.

Além disso, foram também os primeiros executivos a construir o próprio caminho de saída, inaugurando os planos de aposentadoria privados, que na época estimulavam a saída no máximo aos 60 anos e até mesmo aos 50, com aposentadoria antecipada. Com uma renda garantida, essa turma deixou precocemente as empresas, carregando toda a sua competência e experiência. Foram cuidar da sua própria vida e muitos se tornaram consultores, vendendo sua sabedoria a quem precisasse, outros escreveram livros contando sua trajetória, repassando dicas e conhecimento.

As novas demandas do mercado, o crescimento da economia, a falta de profissionais experientes em determinados nichos estão fazendo as empresas reverem seus critérios de idade, tanto de aposentadoria quanto de contratação.

Terceira idade, no caso destas pessoas altamente qualificadas não é sinônimo de obsolescência e sim de maturidade. São pessoas que durante toda sua vida cuidaram de seu desenvolvimento pessoal e profissional e também da saúde- inaugurando os programas de check up de executivos, e estão em plena forma física e intelectual.

As empresas começam a refletir sobre o melhor aproveitamento desta experiência, reformulando planos de previdência privada, ampliando as oportunidades de contratação, recorrendo ao saber e ao talento deste grupo.

Nossos gurus estão de volta, ou aliás nunca estiveram de fora. De alguma forma, como coaches, mentores ou simplesmente amigos, ainda são necessários e contribuem para que a geração que está agora em posições de liderança, consiga tocar este país.

Lucia Madeira é gerente de Recursos Humanos da Fundação Roberto Marinho

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