segunda-feira, setembro 08, 2008

Empresas precisam acelerar a formação

Stela Campos
08/09/2008
Fonte: Valoronline

Gustavo Lourenção/Valor
"Empresas não preparam novos líderes", diz Indraneel Roy, da Hewitt
Para cada dois trabalhadores experientes que deixarão o mercado de trabalho nos próximos cinco anos, apenas um ingressará nas mesmas condições. Se eles forem líderes, a perspectiva é ainda mais sombria. Em pesquisa realizada com 200 executivos seniores, de 44 países, 60% disseram que não existem pessoas suficientes em suas empresas sendo preparadas para assumir cargos de liderança neste período.

A crise de talentos hoje é grave e significará uma escassez de líderes amanhã. Para o indiano Indraneel Roy, responsável pela área de liderança global da consultoria Hewitt Associates, a situação é crítica e merece atenção imediata das companhias. O consultor, que fica baseado em Cingapura, mas percorre o mundo ajudando as empresas na formação de novas lideranças, diz que a falta de pessoas nessa "fila" para se chegar ao topo tem feito muitas empresas acelerarem a carreira de quem apresenta algum potencial. "Se elas não fizerem isso, precisarão contratar gente de fora o tempo todo", diz Roy, que em sua passagem pelo país concedeu uma entrevista ao Valor.

Para o consultor, a grande questão é se as pessoas do alto escalão estão se esforçando o suficiente para construir uma base de talentos para sucede-los. "Apenas dois terços dos funcionários com mais de cinco anos de empresa têm condições de chegar ao topo", diz Roy. "Eles são mais rápidos que os outros". O pulo do gato para as companhias, segundo ele, é saber identificar os talentos emergentes cada vez mais cedo e equipa-los para que eles possam exercer seu potencial completo. "É preciso acelerar esse processo", acredita.

O importante para não perder de vista a renovação das lideranças, segundo Roy, é cuidar bem de quem tem um impacto maior no negócio. "Para isso, é preciso identificá-los e construir um projeto de desenvolvimento para cada um", diz. Isso pode ser feito com cursos, um bom feedback e com o incentivo do network interno e externo. "Ajuda muito essa troca de experiências", diz. Se a pessoa só conhece a versão do chefe sobre os fatos, não saberá de tudo. "Não estou incentivando a fofoca, mas uma troca de informações, em prol de uma gestão mais transparente", explica.

Outra ferramenta importante na preparação dos futuros líderes, para Roy, é carregar na pressão sobre os potenciais candidatos a um posto no topo. "Se você não fizer isso, jamais saberá se eles estão realmente prontos", diz. O consultor diz que dar projetos para eles realizarem não é o suficiente para acelerar sua formação. "É necessário cobrar decisões importantes", diz.

As empresas globais, segundo o consultor, estão mais preocupadas com a criação de novas lideranças. Num primeiro momento, a saída para sanar a falta de talentos tem sido buscar profissionais em diferentes regiões. "A mobilidade de talentos é enorme", diz. Ele lembra que antes as múltis americanas, por exemplo, costumavam enviar executivos americanos para atuarem em novas praças, hoje elas podem mandar pessoas de outros países. "Executivos da China agora vão para os Estados Unidos, é uma via de mão dupla", conclui Roy.

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