Empresas que pagam muito não têm resultados melhores
Assis Moreira, de Genebra
22/10/2008
Fonte: Valoronline
As altas de salários pagos a executivos nos últimos anos resultaram em pouca ou nenhuma melhora no desempenho das companhias, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O desenvolvimento de governança corporativa conduziu ao uso crescente de remuneração vinculado a performance, mas "evidências" indicam que isso resultou economicamente ineficiente e exacerbou a desigualdade de renda.
Se em alguns casos ocorreu melhora "moderada", em boa parte não houve nenhuma relação entre o pagamento por desempenho e o lucro da companhia, segundo a OIT.
A explicação mais plausível sobre os enormes salários de executivos é a posição de força deles para barganhar com o conselho de administração e acionistas. A entidade exemplifica que companhias americanas e portuguesas pagam mais aos executivos quando os conselhos de administração são maiores, porque isso torna mais difícil uma oposição organizada contra os diretores-executivos. Da mesma maneira, a compensação é mais alta se a escolha da maioria dos executivos foi influenciada pelo presidente.
O sistema de compensações vinculado ao desempenho fez os salários de executivos dos Estados Unidos aumentarem quase 10% por ano entre 2003 e 2007, comparado a apenas 0,7% para os outros empregados.
Em 2007, os CEOs americanos ganharam em média 521 vezes a mais que o trabalhador médio, comparado a 370 vezes mais há quatro anos. Quando as compensações com ações são incluídas, os CEOs ganharam quase duas vezes mais que a média de outros executivos, comparado a uma vez e meia alguns anos atrás.
A OIT nota que em países como o Brasil, Alemanha, Japão e México, as empresas só anunciam o pacote geral das compensações, sem dar transparência geral. Um dos argumentos é de que o montante exato das remunerações poderia colocar em risco a vida de executivos em certos países.
A pressão sobre os salários dos patrões aumenta na Europa. Na Suíça, causa indignação o salário de 30 milhões de francos pagos a Daniel Vasella, presidente do gigante farmacêutico Novartis.
O presidente de uma pequena empresa, Thomas Minder, já recolheu 120 mil assinaturas para provocar uma votação popular contra as remunerações abusivas, atribuído em parte a bônus exorbitantes calculados com critérios opacos. Minder propõe que os montantes pagos a diretores e conselho de administração sejam aprovados pelos acionistas, em assembléia, e não por comitês que eles mesmo nomeiam.


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